Eixos Temáticos 

EIXO 1 - Políticas, currículo e formas de organização da educação de infância

Coordenação: Fernando Ilídio Ferreira (Universidade do Minho, Portugal) e Zilma de Moraes Ramos de Oliveira (Universidade de São Paulo, Brasil)

 

Nas últimas décadas temos assistido a um recrudescimento de políticas educacionais de pendor tecnocrático e meritocrático, gerando e/ou acentuando desigualdades sociais e escolares e pondo em causa o sentido democrático e inclusivo da educação pública. O campo da Educação de Infância, tradicionalmente mais ligado à ludicidade, tem sido influenciado por estas perspetivas, que impõem currículos e formas de organização inspirados no modelo académico. Importa, por isso, discutir o modo como se manifestam estas questões, no Brasil e em Portugal. Que perspetivas e desafios enuncia a recente Base Nacional Comum Curricular, no Brasil, para a Educação Infantil, e a definição de metas curriculares para a educação pré-escolar, em Portugal?

Como as políticas públicas incorporam as múltiplas infâncias e o protagonismo das crianças pequenas? Que desafios se colocam hoje às políticas públicas de educação e de bem-estar das crianças, face ao aumento da pobreza infantil e de outras formas de maus tratos e violação dos direitos das crianças? Que experiências educacionais – ao nível local, nacional e internacional – nos inspiram a pensar currículos que deem conta das realidades brasileira e portuguesa?

 

EIXO 2 - Formação e identidades dos profissionais da educação de infância

Coordenação: Lenira Haddad (Universidade Federal de Alagoas, Brasil) eTeresa Sarmento (Universidade do Minho, Portugal)

 

A formação docente, encarada como um continuum que inclui a formação inicial e o desenvolvimento profissional ao longo da vida é uma questão de renovada atualidade, tendo em conta, por exemplo, as mudanças associadas ao processo de Bolonha, em Portugal e demais países da Europa, e à Base Nacional Comum Curricular, no Brasil. A literatura tem chamado a atenção para a influência que a formação docente tem na educação e no bem-estar das crianças, pelo que importa debater questões como: que conceções de profissionalidade/profissionalização e de identidade profissional docente estão presentes nas políticas, nos currículos e nas práticas de formação dos/as educadores/as de infância e no quotidiano profissional? Que perspetivas, tensões e desafios se colocam à formação e ao desenvolvimento dos profissionais de educação de infância? Como estão a ser (re)construídas as suas identidades profissionais, em diferentes contextos de trabalho (creche, jardim de infância / pré-escola e outros)?

 

EIXO 3 - Diversidades e diferenças: contextos e quotidianos das e para as crianças

Coordenação: Maria João Cardona (Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Santarém, Portugal) e Nanci Helena Rebouças Franco (Universidade Federal da Bahia, Brasil)

 

Educar para/com/na diversidade é um desafio da sociedade globalizada que tem vindo a reproduzir desigualdades sociais, exclusão e colonização. As crianças são sujeitos sociais e culturais que carregam as marcas da sua pertença social e reproduzem as heranças culturais de um povo. Diante disso, questiona-se: como são tratadas as diferentes  crianças nas instituições de educação de infância? Até que ponto a formação docente traz elementos para nortear uma prática intercultural e emancipatória? As crianças são respeitadas enquanto sujeitos sociais, que produzem história e culturas infantis? Como estão a ser discutidas as questões de género e sexualidade nesta etapa? Como têm sido consideradas as crianças com necessidades educativas especiais? Como têm sido problematizadas as relações étnico-raciais? Como tornar a cidade e outros contextos de vida das crianças mais inclusivos e participativos? No Brasil, como são os espaços de educação de infância nos quilombos, nos assentamentos do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), nas aldeias indígenas, nos acampamentos ciganos? Até que ponto os governos têm dado respostas às especificidades das escolas e da educação das crianças pequenas em cada local-região? Como dar conta das especificidades de cada região num contexto em que as políticas uniformizam cada vez mais as suas bases curriculares?

 

EIXO 4 - Tecnologias digitais e produção cultural para e da infância

Coordenação: Cleriston Izidro dos Anjos (Universidade Federal de Alagoas) e Lúcia da Graça Cruz Domingues Amante (Universidade Aberta, Portugal)

 

As crianças do século XXI, de acordo com as suas experiências de vida e de educação, têm chegado às instituições de Educação de Infância com múltiplos saberes sobre o universo digital. No entanto, no cenário educacional é possível encontrar desde educadores/as que defendem o contacto das crianças com os aparatos tecnológicos até aqueles/as que criticam o seu uso por elas. Muitos são os questionamentos e ainda há pouca produção académica no campo das discussões que envolvem a relação entre a(s) infância(s) e as Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC). Para o debate e a reflexão podem ser levantadas várias questões: Que usos as crianças fazem das TDIC na família, nos espaços e atividades de lazer, nas creches e nas pré-escolas/jardins-de-infância? Qual o papel das TDIC nas relações das crianças com os pares e na construção das culturas da infância? Em que medida são exploradas por meio do trabalho infantil artístico nos meios de comunicação? Como está o cenário de regulamentação da publicidade dirigida ao público infantil? Até que ponto as crianças são ouvidas quando o assunto é a produção de conteúdos mediáticos voltados para si? Como se dão os jogos no universo digital? Como têm sido discutidas as produções cinematográficas para a infância e com crianças?

 

EIXO 5 - Corpo, ludicidade e movimento

Coordenação: Carla Maria Faria Alves Pires Antunes (Universidade do Minho, Portugal) e Márcia Buss-Simão (Universidade do Sul de Santa Catarina, Brasil)

 

Nas últimas décadas, os estudos multidisciplinares da infância têm vindo a sublinhar a importância do jogo e da brincadeira na vida das crianças, como parte integrante dos seus mundos, das suas culturas e dos seus direitos. Em sentido contrário, tem-se observado uma tendência de “escolarização” das crianças desde a sua entrada nas instituições de Educação da Infância, em consequência de políticas educacionais, de conceções e práticas de formação docente e de mudanças societais que impõem o modelo da competitividade na economia, no trabalho, na educação e nos estilos de vida. Em grande medida, o direito ao brincar tem sido subsumido no “ofício de aluno”, acentuando a institucionalização e a socialização das crianças e secundarizando a promoção da cidadania, da participação e das culturas da infância. De que modo se manifestam estas questões, em Portugal e no Brasil? Numa época em que se hipervaloriza a vertente intelectual, que lugar é conferido ao corpo e ao movimento na educação e na vida das crianças e dos bebés? Em que medida os profissionais da infância consideram as expressões infantis? Que papel tem e pode ter a ludicidade na (re)invenção do “ofício de criança”? Qual a presença das brincadeiras, do movimento e do corpo na formação inicial e contínua dos/as profissionais da educação de infância?

 

EIXO 6 - Experiências, linguagens e saberes: a especificidade da Educação de Infância

Coordenação: Maria Cristina Cristo Parente (Universidade do Minho, Portugal) e Solange Estanislau dos Santos (Universidade Federal de Alagoas, Brasil)

 

A especificidade da Educação de Infância/Educação Infantil exige a problematização das áreas do conhecimento tradicionalmente definidas e a ampliação dos conceitos de aprendizagem e ensino. É necessário garantir espaços, projetos, tempos que promovam experiências diversas e a descoberta de saberes múltiplos que ultrapassem a estrutura disciplinar. Em que medida são valorizados os saberes e as experiências da vida quotidiana das crianças e dos bebés, nos contextos educativos institucionais? Como proporcionar tempos e espaços para que as crianças experimentem situações que envolvam saberes linguísticos, matemáticos, artísticos, geográficos, históricos, químicos, físicos, biológicos? Como explorar os diversos conhecimentos sem hierarquizá-los? Como a literatura e a arte estão presentes no quotidiano das crianças? Que experiências estéticas são proporcionadas nos espaços das instituições? Que perguntas as crianças fazem sobre a natureza e a sociedade? Que explicações e hipóteses formulam para essas perguntas? De que maneira os/as educadores/as de infância tem contribuído para aguçar a curiosidade das crianças?

 

EIXO 7 - Questões ético-metodológicas na investigação com crianças e bebés

Coordenação: Deise Juliana Francisco (Universidade Federal de Alagoas, Brasil) e Maria da Assunção da Cunha Folque de Mendonça (Universidade de Évora, Portugal)

 

Na tentativa de superar a tradicional perspetiva de investigação sobre as crianças, os estudos da infância têm dado contributos fundamentais para uma perspetiva de investigação com as crianças, concebendo a infância como grupo geracional e as meninas e os meninos como atores sociais empiricamente referenciados. O reconhecimento da autonomia relativa das crianças face ao mundo adulto e da sua capacidade de produção simbólica, expressa em culturas infantis, tem permitido dar conta das realidades da infância e das crianças a partir dos seus próprios mundos, dos seus próprios quotidianos, das suas próprias vozes. A escuta das crianças tornou-se uma questão epistemológica e ético-metodológica central nas pesquisas. Importa por isso aprofundar a reflexão e o debate sobre os mundos das crianças, sobre o que pensam, fazem, dizem e sentem. Assim sendo, questiona-se: Que problematizações éticas e políticas têm emergido nas Ciências Humanas e Sociais em torno da participação das crianças nos processos de pesquisa? Em que medida têm estes processos conferido às crianças o papel de participantes ativos? Até que ponto as pesquisas continuam tratando a criança como objeto e não como sujeito? Como têm sido as questões éticas discutidas nas universidades e nos grupos de pesquisa? Que métodos têm sido utilizados nas pesquisas com crianças e bebés? Como descolonizarmos o nosso olhar de adulto/a e realizamos pesquisas descolonizadoras?